16 de Janeiro de 2018

Em 2025 a ILUMINAÇÃO deixará de ter unicamente a função de “iluminar”.

LI-FI

A concretização da tecnologia LI-FI está para breve e os sinais são evidentes. O primeiro congresso sob esta temática acontecerá dia 8 e 9 de Fevereiro em Paris e irá revolucionar a forma como a transmissão de dados será efetuada no futuro, ou seja, através da LUZ.
A tecnologia actual:

A tecnologia Wi-Fi foi inventada em 1992 pelo engenheiro astrónomo australiano John O’Sullivan como consequência de uma experiência falhada que pretendia detectar explosões de buracos negros. Desde então, o Wi-Fi revolucionou a comunicação digital e é quase impossível imaginar como seriam os dias de hoje sem esta tecnologia que equivale a quase 60% do tráfego da internet.

Ainda assim, o Wi-Fi tem algumas lacunas que podem ser melhoradas, seja a nível de propagação de sinal ou pela eventual insegurança de poder ser interceptado por terceiros. Tais problemas têm por base o facto de os dados serem transmitidos através de ondas rádio. E como podemos resolver estes problemas com uma alternativa barata, robusta e facilmente disponível? A resposta poderá estar na luz.

Porquê a luz?
A luz visível corresponde a uma porção do espectro electromagnético onde as ondas estão carregadas com muito mais energia e, consequentemente, maiores velocidades que uma onda rádio. A luz tem uma gama de frequências milhares de vezes maior, chegando aos 750 THz, contra o máximo de 300Hz das ondas rádio. Isso significa que a luz tem a capacidade de transmitir muito mais pulsos de dados em muito menos tempo do que as ondas rádio. A este conceito de transmissão de dados através da luz chamou-se Li-Fi.

Como funciona?
O Li-Fi é um sistema de comunicação sem fios que utiliza lâmpadas LED da mesma forma que o Wi-Fi utiliza routers para receber dados. Ambos sistemas são, aliás, muito parecidos, por transmitirem dados electromagneticamente. A diferença está, como dissemos, no facto de um utilizar ondas de luz visível e outro de rádio para essa transmissão. O Li-Fi serve-se de um simples sistema constituído por um receptor fotossensível e um processador de sinais que converte a luz em dados. Como é possível controlar a corrente eléctrica que alimenta a lâmpada LED, é possível ligar, desligar ou controlar a intensidade desta a velocidades tão rápidas que não são perceptíveis ao olho humano.

Ao ser alimentado um determinado sinal à lâmpada LED, esta emite-o através da luz, sendo depois interpretado por um processador fotossensível que detecta as variações subtis na intensidade dos raios de luz. Essas variações são traduzidas num sinal em código binário que depois é interpretado por computadores e dispositivos móveis na forma de dados. A principal desvantagem do Li-Fi é que os seus sinais não atravessam paredes ou outros obstáculos sólidos, pelo que esta tecnologia obrigaria à existência de um emissor e uma receptor na linha de visão um do outro. Por outro lado, tal problema é fácil de contornar, visto que todas as divisões de um edifício deverão ter uma fonte de luz de qualquer forma.

Quão fiável é esta tecnologia?
Pode esta tecnologia sair do papel e ser aplicada na vida real? A resposta é afirmativa. Em condições de laboratório, os investigadores já conseguiram atingir velocidades de 10 gigabits por segundo. Para que tenha uma noção, as velocidades de internet da Coreia do Sul, o país com a internet mais rápida do mundo, na ordem dos 100 mil megabits por segundo.

Mas também em contexto comercial o Li-Fi se viu bem sucedido. Na Estonia, um dos países mais na vanguarda da tecnologia, foram criados períodos de teste para esta tecnologia. Os relatórios mostram uma transmissão de dados de cerca de um gigabit por segundo, cerca de 100 vezes mais rápido do que as velocidades médias de Wi-Fi actual. Imagine-se a entrar numa divisão da casa e, ao carregar no interruptor da luz, simultaneamente ter acesso a internet cem vezes mais rápida que a sua actual? Mas não fica por aí. Investigadores da Universidade de Oxford publicaram resultados de internet através da luz com uma velocidade de 223 gigabits por segundo. O que equivaleria a fazer o download de 18 filmes de 1,5 GB num único segundo! A tecnologia actual de servidores ainda não deverá suportar tais velocidades, mas os resultados são promissores e permitem optimismo no futuro.

Qual é o estado actual da Li-Fi?
Com sede em Edinburgo, a PureLiFi é uma empresa que aposta nesta tecnologia e na qual um grupo de investidores já injectou £1,5 milhões (cerca de 1,9 milhões de euros), valorizando-a em £14 milhões (cerca de 17,5 milhões de euros). Harold Haas, o co-fundador desta empresa, diz o seguinte aquando da sua participação numa conferência TED: “As lâmpadas já estão instaladas. A infraestrutura já está montada. E tudo o que se tem que fazer é substituir as ineficientes lâmpadas incandescentes pela mais recente tecnologia de lâmpadas LED. Os LED são semicondutores, o que nos permite modular a sua intensidade, ou mesmo ligar e desligá-los, a velocidades incríveis. E é esse o fundamento por detrás desta tecnologia.”

Harold espera ainda conseguir servir-se desta tecnologia com as câmaras fotográficas dos dispositivos móveis, para que os sensores fotossensíveis das suas lentes funcionem como receptores dos dados através da luz. E, caso se esteja a perguntar se a luz tem que estar ligada durante a noite para que a internet esteja ligada, há mais boas notícias. É possível reduzir a intensidade da luz de forma a que o olho humano nem a detecte, sendo, ainda assim, suficiente para que o receptor consiga lê-la.

Conclusão:
É fácil concluir que esta é uma provável alternativa ao Wi-Fi, por ser mais potente e com custos substancialmente inferiores. No mínimo, será certamente um complemento da tecnologia actual. Pode facilmente levar a que a “Internet das Coisas” se torne uma realidade absoluta, num cenário onde todos os dispositivos electrónicos conseguem comunicar entre si. O que permitiria aplicações tão variadas como o seu frigorífico a enviar uma lista de compras para o seu telemóvel ou o de uma ponte a emitir um aviso de danos estruturais directamente para a equipa de engenheiros responsável.